Fonte: Henri Chevalier/CUT NACIONAL e Renata Machado/CUT-RS

Mesmo com sol forte e calor de quase 40 graus, milhares de pessoas participaram da marcha de abertura do Fórum Social Temático 2014 na tarde desta quinta-feira (23), em Porto Alegre (RS). A caminhada percorreu as ruas do centro da capital gaúcha, iniciando no Largo Glênio Peres e se encerrando na Usina do Gasômetro.

ESQUERDA PRECISA MANTER FÓRUM SOCIAL VIVO

Para Claudir Nespolo, presidente da CUT-RS e membro organizador do FST 2014, “enquanto Davos continuar emitindo políticas neoliberais e reunindo a elite do empresariado internacional, é fundamental que a esquerda mantenha o Fórum Social Mundial vivo”. Segundo o dirigente sindical, os integrantes do Fórum Econômico Mundial, acontecendo em Davos, Suiça, orientam menos intervenção estatal, mas os movimentos sociais e sindicais tem a convicção de que o Estado tem que estar presente o suficiente para garantir políticas distributivas e liberdade de manifestação.

“Esta marcha é um exemplo de manifestação extremamente plural, reunindo muitos grupos pela reforma política e a Democracia. As grandes manifestações são muito importantes e o que precisamos agora é de unidade e organização para vencermos as batalhas que se apresentam como desafios”, lembra o presidente estadual.

UNIDADE

O Secretário Nacional de Relações Internacionais da CUT, João Felício, concorda com a necessidade de organização de pautas em comum e analisa o desenvolvimento da Marcha de Abertura e do FST desde 2001, quando a CUT iniciou o processo de construção coletiva do Fórum. “Nós não tínhamos, há 14 anos, nenhum espaço para construirmos uma unidade. Hoje temos e precisamos utilizá-lo. As mudanças no mundo, nós sabemos quais devem ser feitas. Conhecemos os desafios. O que precisamos agora é construir nossa agenda, porque os capitalistas sabem perfeitamente as agendas deles”, ressalta.

Entre os temas da agenda dos movimentos sociais e sindicais, Rosane Bertotti, Secretária Nacional de Comunicação da CUT, atenta para os dois que teriam grande impacto na sociedade e política brasileiras. “Neste Fórum temos inúmeros debates de grandeimportância, entre os quais o Fórum de Mídia Livre, fundamental para o fortalecimento dos movimentos sociais e para a consolidação da Democracia, e a constituinte exclusiva para uma reforma política, já que a correlação de forças não permite que a mudança venha pelas mãos do Congresso”, destaca, conclamando a todos que participem da luta pela consolidação da Democracia do País.

O Fórum de Mídia Livre acontece nesta sexta-feira (24), a partir das 9h, no Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul. O lançamento da campanha pelo plebiscito popular por uma constituinte exclusiva pela reforma política acontece no sábado (25), às 14h, na Usina do Gasômetro.

Para Rogério Pantoja, diretor-executivo da CUT Nacional, o Fórum Temático é fundamental para a discussão de pautas pertinentes à estrutura social internacional, mas também é necessário um debate profundo sobre o papel do próprio Fórum e das entidades sociais. “Nós temos nossas críticas em relação às formas de debates. Precisamos ter ações mais concretas e precisamos levar essa discussão para dentro dos espaços mundiais. Esse ano temos nada menos que 38 ações ligadas ao FST. Não é possível que não consigamos uma unidade de luta e uma direcionamento para ações concretas”, declara.

CAPITALISMO EM CRISE

Questionada sobre a crise do sistema capitalista, mote do FST 2014, a Secretária Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane Silva, aponta que a sociedade internacional não está a caminho de um novo modelo de produção, mas de uma nova fórmula de Capitalismo. “O sistema está se alterando, mas não há dúvidas de que é uma reestruturação do Capitalismo como o conhecemos, para que sobreviva. Por isso, também, um espaço como o Fórum Temático assume tanta relevância. É um espaço de discussão coletiva para encontrar saídas para questões estruturais”.

Alfredo Santos Jr., Secretário Nacional de Juventude da CUT, acrescenta que o Fórum “é um espaço que facilita a troca de experiências e precisamos debater para decidir o que fazer para enfrentamento das desigualdades estruturantes causadas pela lógica do capital. Não apenas na teoria, mas concretamente.” O dirigente espera que o Fórum deste ano saia com pautas consolidadas. “Precisamos de pautas efetivas para agirmos e buscarmos resultados de fato”, resume.

DENÚNCIAS

Durante a caminhada, nas bandeiras de lutas, também havia reivindicações mais específicas sobre questões dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros. Lucilene Binsfeld, secretária de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs-CUT), ressaltou a necessidade de denunciar multinacionais que vem ao brasil explorar os brasileiros. “Nós participamos da marcha, hoje, denunciando especificamente o Walmart”, afirma Lucilene. “Uma empresa americana que não respeita direitos trabalhistas, que quer que os funcionários trabalhem dia e noite, sem horas extras, sem folgas e com salários baixos. E, ainda, tem casos de não permitirem às mulheres ir ao banheiro. São coisa graves, sérias, que envolvem questões de saúde, trabalho, direitos. Não podemos permitir que essas multinacionais venham ao nosso país para desumanizar nossos trabalhadores”.

CAMINHADA

Na concentração, organizadores orientavam a atividade, intercalando falas sobre um novo mundo possível com a música do grupo Nação Hip Hop Brasil. Entre os temas, o enfrentamento ao neoliberalismo, a reforma política, a crise capitalista, a reforma agrária e a democratização dos meios de comunicação foram os mais lembrados.

No ato de encerramento, na Usina do Gasômetro, os representantes da CUT e outras centrais sindicais realizaram suas falas nos carros de som. Para o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, os debates que um evento desses proporciona são fundamentais para a construção de um novo mundo, justo e igualitário. “Todas as organizações estão presentes aqui, lutando, nesse momento de grande questionamento dos períodos neoliberais. São organizações com histórico de batalha. e quem sempre esteve nas ruas continuará nas ruas”, diz.