Fonte: www.mandiocadomara.blogspot.com

Feiras de economia solidária se constituem como espaço de comercialização solidária no interior do Maranhão – l Feira de economia solidária e agricultura familiar de São Mateus.

Novas iniciativas de economia solidária vêm sendo implantadas em todo o Estado do Maranhão a partir da organização de diversos grupos e comunidades rurais e urbana no intuito de criação de alternativas de trabalho, e renda com base nos princípios e diretrizes da economia solidária e do comercio justo e solidário. Essas iniciativas contam com o apoio direto das organizações da sociedade civil que fazem parte do Fórum Estadual de Economia Solidária (entidades de apoio e fomento) que trabalham na orientação dos grupos e comunidades construindo formas de apropriação de conhecimentos que vão desde a parte organizacional da produção, passando pelo beneficiamento, comercialização, chegando até o consumidor final, fechando assim todo o processo produtivo/cadeia produtiva. Seguindo o exemplo do município de Codó, localizado na Região dos Cocais Maranhense, o município de São Mateus, na Região do Médio Mearim, realizou a primeira Feira Municipal com produtos da economia solidária e da agricultura familiar, contando com a parceria da Paróquia local, Cáritas Diocesana de Coroatá. Cáritas Brasileira Regional Maranhão, ACESA, entre outras. Participaram da l Feira Municipal agricultores e agricultoras das comunidades localizadas na Gleba Gitirana (projeto de assentamento rural), grupos urbanos do projeto Reciclando Vidas, que trabalha com Catadores e Catadoras de materiais recicláveis, grupos de mulheres da periferia, que trabalham com hortas comunitárias e grupos que trabalham com artesanato (de palha, tecido, madeira, etc). Durante a Feira foram expostos uma grande diversidade de produtos da agricultura familiar, extrativismo e artesanato. Os produtos expostos são livres de agrotóxicos, do trabalho análogo a escravo, do trabalho infantil, de organismo geneticamente modificado (transgênico), garantindo um produto limpo do ponto vista social, ambiental, cultural, político e econômico. Diante do resultado desta primeira feira a coordenação, juntamente com os expositores, decidiram continuar com a experiência, ampliando-a para outros grupos e comunidades, aumentando assim a quantidade de produtos de boa qualidade a serem oferecidos para a população, fixando a periodicidade da referida feira para uma vez por mês, estabelecendo assim uma relação mais direta com o consumidor eliminando em definitivo a figura indesejável do atravessador. A realização de feiras locais como estratégia de comercialização solidária vêm tendo bastante aceitação da população, uma vez que se reconstroem os espaços populares de comercialização. Por outro lado, a relação entre quem produz e quem consome cria uma cumplicidade direta e verdadeira dentro do processo produtivo, fortalecendo mais ainda a prática do comércio justo e solidário, sem a intermediação de grupos ou pessoas indesejáveis – atravessadores – a essa nova forma de fazer economia.