Fonte: www.paranashop.com.br

O Workshop Solidarium Comércio Justo, realizado no início de dezembro em Curitiba, reuniu 35 representantes de 18 grupos comunitários de baixa renda do Paraná, unidos no artesanato e interessados em formar uma cadeia produtiva, transparente, justa e comunitária. O objetivo do encontro foi a divulgação dos ideais do projeto Comércio Justo e Solidário, desenvolvido pelo Sebrae, para melhorar a competitividade e sustentabilidade de grupos formados por micro e pequenas empresas e de produtores rurais de todo o País.

A partir da formação e fortalecimento de um grupo produtivo organizado, o projeto busca gerar novos postos de trabalho, aumentar a renda e qualidade de vida dos integrantes, reduzindo a cultura de dependência com base em conceitos de empreendedorismo, ambição positiva e vitórias. Segundo o consultor do Sebrae/PR e gestor do projeto, Marcos Uda, o Comércio Justo ainda tem como foco complementar gerar produtos sociais com design inovador e qualidade, criando um diferencial competitivo. “Os grupos organizados tendem a permitir a articulação de parcerias e acordos comerciais que possibilitam a criação de canais alternativos de comercialização”, afirma.

O Projeto Solidarium Comércio Justo atua ligado a 217 produtores de grupos pré-selecionados que estão recebendo assessoria e suporte para a organização de setores de gestão, crédito e produção, minimizando riscos de insucesso em atividades de produção e comercialização de artigos de artesanato. Assim como a visita dos produtores de artesanato, a atuação do Projeto Solidarium Comércio Justo atendeu também grupos de agricultores de Curitiba, Turvo e Cascavel. “O Projeto trabalha com microempreendimentos coletivos localizados em comunidades de baixa renda, pertencentes a realidades urbanas e rurais no Paraná que sofrem pela falta de alternativas de trabalho e renda, altos índices de desemprego e violência, com escassez de políticas públicas e infraestrutura de transporte e comunicação”, explica Marcos Uda.

Ainda de acordo com o gestor do Projeto, com uma base forte e consolidada, é possível que os produtores consigam desenvolver, ampliar e fortalecer o acesso a novos mercados. “O Projeto pretende gerar trabalho e renda que tragam benefícios e impactos positivos diretos na vida dos produtores e suas famílias. Além disso, os microempreendimentos comunitários são formas e espaços de aumento da autoestima e valorização desses empreendedores, bem como pontos de referência, integração e desenvolvimento local e comunitário das regiões onde estão situados, passando a beneficiar suas comunidades como um todo.”

Durante o encontro, realizado na sede do Sebrae/PR, na Capital, representantes participaram da elaboração de um plano de atividades propostas para os anos de 2010 e 2011, além de conhecerem o testemunho dos benefícios conseguidos pela Associação Manga Brasil, da Bahia, que visitava Curitiba na oportunidade, em uma missão técnica com o intuito de prospectar novos contatos de negócios para ampliar seus canais de comercialização.

Tiago Dalvi, diretor executivo da ONG Solidarium, considerou a receptividade dos presentes no workshop muito boa e acredita que a reação dos empreendedores levará a bons resultados. “Muitos dos presentes não sabiam do que se tratava o Projeto, apesar de já estarem inseridos nele. Porém, a grande maioria pretende se envolver ainda mais com o movimento, como forma de melhorar suas práticas e agregar valor aos seus produtos”, comenta.

Comércio Justo

O Sistema Nacional de Comércio Justo e Solidário (SNCJS) existe no Brasil desde 2000, engajado na busca por respostas criativas para as dificuldades em torno da comercialização de produtos e serviços dos empreendimentos econômicos solidários brasileiros. De lá para cá, entre muitas reuniões, consultas públicas, pesquisas e encontros, a proposta se consolidou em uma base conceitual própria e pioneira, com forma de construção compartilhada entre governo e sociedade civil.

O Comércio Justo é um conjunto de conceitos, princípios, critérios, atores, instâncias de controle e gestão, organizados em uma estratégia única de afirmação e promoção. Estruturado em um documento que mescla mecanismos de regulamentação e de fomento, o SNCJS pretende se consolidar como política pública e econômica, por proporcionar uma identidade aos produtos e serviços da Economia Solidária, agregando valor e conceito aos mesmos, como forma de ampliar suas oportunidades de venda.

Para o Sebrae, o Projeto visa incrementar a contribuição dos pequenos negócios para a produção nacional, elevando sua participação nos mercados interno e externo; articular políticas públicas e outros mecanismos que viabilizem o desenvolvimento, a sustentabilidade e o incentivo à formalização dos pequenos empreendimentos; contribuir para a criação do mercado nacional de Comércio Justo; viabilizar o acesso ao mercado dos pequenos produtores de forma justa e sustentável; apoiar a criação de uma iniciativa nacional de certificação e a intensificação das relações comerciais em sistemas econômicos locais; viabilizar o acesso à capacitação; além de desenvolver e aprimorar mecanismos de acesso a informações de mercado.

Podem participar do Projeto instituições públicas e privadas sem fins lucrativos ou ainda organizações não-governamentais, que contam com o apoio de uma entidade parceira para mediar os projetos apresentados. Essa entidade pode ser uma associação, sindicato ou cooperativa de micro e pequenos empreendimentos ou de produtores do meio rural. Para orientação na elaboração dos projetos serão considerados os conceitos fundamentados pelo Termo de Referência Sebrae de Comércio Justo, disponível na Biblioteca On-Line do portal do Sebrae, no endereço www.biblioteca.sebrae.com.br, onde é possível obter mais informações.

A notícia é do site jornalismocuritiba@savannah.com.br, extraída do site www.paranashop.com.br