Fonte: Adital (www.adital.com.br)

O dia 1º de Maio será celebrado no mundo inteiro com diversas manifestações da luta dos trabalhadores por seus direitos, cada vez mais ameaçados diante da atual crise econômica. No Rio de Janeiro, um ato unificado de organizações sindicais e sociais será realizado em Santa Cruz, Zona Oeste da cidade, onde se localiza a Baía de Sepetiba. A concentração terá início às 9h em frente ao Hospital Pedro II.

“Essa manifestação terá uma simbologia diferenciada porque busca um diálogo com a população local da Baía que sofre violações de direitos humanos com a construção da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA). Vamos distribuir um jornal que trata do significado histórico do Dia Internacional do Trabalhador e que traz também informações sobre a situação da baía”, explica Ana Carla Magni da Intersindical.

Marcelo Durão, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra, diz que a manifestação trará como bandeiras a luta contra as consequências da crise econômica, contra a criminalização dos movimentos sociais e contra a degradação ambiental: “A mobilização contará com a participação de sindicatos, partidos e outros movimentos sociais. Vamos reafirmar que não pagaremos pela crise”.

Hoje (30), o presidente Lula visitou o canteiro de obras da Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA). A visita tem como objetivo assinar a 30.000ª carteira de trabalho resultante das obras. As organizações que participarão do ato amanhã (1º) repudiaram a presença do presidente na TKCSA: “Exigimos respeito aos direitos humanos, trabalhistas, sociais e ambientais da classe trabalhadora da Zona Oeste do Rio de Janeiro!”.

O consórcio Vale-ThyssenKrupp é acusado de sérios danos ambientais, trabalhistas, expulsão da população local e da contratação de milicianos como seguranças, que cerceiam o trabalho e ameaçam de morte pescadores artesanais da Baía de Sepetiba. As organizações informam que sem licença ambiental do IBAMA, e mesmo sendo embargadas e interditadas pelos órgãos de fiscalização, as obras seguem, envolvidas em inúmeras irregularidades e destruição da fauna e flora local.

Há também uma denúncia de que, para reduzir custos e a resistência dos trabalhadores, a TKCSA contrata imigrantes, principalmente chineses e nordestinos. As promessas de geração de empregos maciça para a população local jamais se concretizaram.

Mais de oito mil famílias de pescadores artesanais e maricultores da região foram afetadas pela construção da Siderúrgica, perdendo seus empregos e rendas. As entidades alertam que, com as obras e a contaminação das águas, esgotam-se os recursos pesqueiros. Os portos aumentarão as áreas de exclusão de pesca, afetando duramente os pescadores mais pobres. O complexo siderúrgico já está trazendo sérios riscos à saúde, com aumento da poluição e exposição constante a agentes químicos que ocasionam desde doenças respiratórias a certos tipos de câncer. Além disso, a reprodução natural de peixes na região tem diminuído de forma constante.