Fonte: Brasil Local (www.brasillocal.blogspot.com)

Moradores do bairro Restinga, na capital gaúcha, realizam reunião de trabalho nesta quarta-feira (2) com o objetivo de fixar metas para a implantação de um banco comunitário. “Crédito facilitado para pequenos empreendedores e o uso de uma moeda social, que movimente a economia local, estão entre os benefícios trazidos por este tipo de instituição financeira”, defende o diretor de Fomento da Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (Senaes/MTE), Dione Manetti, que participa da atividade, às 18h30, no centro de eventos da comunidade.

A implantação das instituições vai utilizar a metodologia do Banco Palmas, em funcionamento há mais de dez anos no bairro Conjunto Palmeira, em Fortaleza (CE), e prevê a circulação de uma moeda própria. “Hoje, o Banco Palmas é um dos 16 integrantes da Rede Brasileira de Bancos Comunitários. Todos fazem operações em Real, mas cada um deles conta também com uma moeda social cuja finalidade é estimular o consumo de bens e serviços produzidos pela própria comunidade”, esclarece Manetti.

De acordo com Joaquim Melo, coordenador do Banco Palmas, o crédito oferecido pelos bancos comunitários em moeda oficial funciona com taxas de juros de 0,5% a 3%, abaixo das praticadas pelo mercado. “Para a moeda social, o juro é zero”, completa. Além disso, todos os bancos comunitários contam com um caixa do Banco Popular do Brasil (BPB), subsidiário do Banco do Brasil, que garante a execução de outros procedimentos bancários, como o pagamento de contas de água e luz e boletos em geral.

Plano de ação na Restinga – A administração dos bancos comunitários é feita por meio de um conselho gestor, com membros da localidade na qual está inserido. No caso da Restinga, o primeiro passo será a implantação de um Fórum de Desenvolvimento Local, com a participação de diversos segmentos do Bairro, como comerciantes, grupos produtivos e associações de moradores.

“Esse Fórum será aberto a todos os interessados e terá um grupo de trabalho para desenvolver as ações para a criação do Banco”, afirma Josué da Silva, morador da Restinga e agente de desenvolvimento do Brasil Local, Projeto coordenado pela Senaes. De acordo com ele, a reunião de hoje servirá para determinar um cronograma de atividades a serem cumpridas nos próximos meses.

“Essa atividade dará seguimento a um compromisso assumido pela Senaes no último ano, durante um seminário realizado no Bairro”, justifica Manetti. Na avaliação dele, a Restinga reúne uma série de características propícias à criação do banco. “É um bairro com uma população grande, afastado do centro e com atividade econômica suficiente para girar capital dentro da comunidade”.