Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=25740

Direitos sociais e do trabalho, agricultura auto-suficiente, meio ambiente, água, militarização, impunidade, cidadania. São muitas as demandas que serão tratadas a partir de hoje, durante a Cúpula Social pela Integração dos Povos, que acontece em Cochabamba, na Bolívia, reunindo centenas de representantes de movimentos sociais de vários países da América do Sul. Todos estes assuntos serão debatidos enquanto paralelamente acontece a reunião de Presidentes da Comunidade Sul-americana de Nações. O encontro entre as duas parte é uma das ocasiões mais esperadas deste período, já salientado pelo presidente boliviano, Evo Morales.

Todos os temas estarão distribuídos em cinco grupos temáticos: recursos naturais, água, terra; Agenda social (que inclui temas como saúde, educação, trabalho, migrações e segurança social); democracia e militarização (incluindo os temas sobre direitos humanos, violência e impunidade); energia; e povos indígenas

“Na atualidade, os países da América do Sul contam com soberania formal, mais baixa autonomia real, pois dependem dos mercados internacionais para vender seus produtos básicos. São as organizações de crédito que definem sua política econômica e as bolsas estrangeiras fixam o preço de suas matérias primas”, afirma o texto de apresentação do encontro. Salientando, assim, que o único caminho que resta para todos os países nesta situação é a união e a articulação entre eles para que seja possível estabelecer uma instância política comum.

Assim como afirma Antonio Duran, representante do Conselho de Defesa da Bacia do Rio Pilcomayo, uma das muitas organizações que ajudaram a formular a programação do evento, a expectativa é que esta cúpula seja de grande relevância para todos os setores. Para muitos, o encontro poderá definir e trazer à tona todos os problemas, preocupações, crises e possíveis soluções para uma região rica, mas que ainda expressa consideráveis desigualdades sociais. Trata-se, afirma a organização do evento, de um momento especial onde será refletido a realidade de uma região que contabiliza mais de 376 milhões de habitantes.

E quando o assunto é integração, reafirmar e exercer a soberania dos países da América do Sul é o primeiro passo, segundo a Aliança Social e o Movimento Boliviano pela Soberania e Integração dos Povos, é o primeiro passo a ser dado. “No mundo do século XXI não cabem opções soberanas para os países pequenos, os quais têm duas opções: ou construir com seus iguais espaços maiores que por seu tamanho sejam capazes de aspirar a soberania no século que se inicia, ou o destino de ficar como vassalos subservientes dos Estados Unidos”, ressalta.

A opção da integração também é defendida por vários pesquisadores. Eduardo Gudynas, por exemplo, do Centro Latino-americano de Ecologia Social do Uruguai, afirma que “a recuperação da autonomia das nações semi-anulada pelo neoliberalismo passa necessariamente pela coordenação regional efetiva, isso levando em conta os aspectos da política, da produção e da macro-economia”.

Nem Alca, nem TLC

Todos os movimentos presentes na Cúpula de Cochabamba são de acordo que a soberania e autonomia de qualquer nação não passa pelos acordos propostos pela Área de Livre Comércio da América e pelos Tratados de Livre Comércio. Exemplos já vistos no México, com a assinatura do Nafta, mostram que este modelos não são os ideais para atender aos anseios de desenvolvimento social, econômico e, sobretudo humano, de uma região que congrega quase 380 milhões de habitantes.

Desde o início do ano líderes de diversos movimentos sociais vêm trabalhando nas possível alternativas ao comércio neo-liberal. A Cúpula dos Povos, será o ponto que reunirá todas as reflexões, debates e propostas que foram desenvolvidas durante todo esse tempo com relação à luta conta a Alca e a Organização Mundial do Comércio.

Em suas atividades, a Cúpula espera nutrir o fortalecimento da sociedade civil frente ao avanços desse acordos em toda a região da América Latina. Parra isso, a Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), na Venezuela e o Tratado de Comércio dos Povos (TCP), na Bolívia, são alguns dos trajetos que serão apontados como solução. Enfim, o evento que mostrar que outra integração é possível.

Toda a programação pode ser conferia no sítio www.integracionsolidaria.org