Fonte: Rose Gomes (rgomes@fase.org.br)

O boletim sobre Desenvolvimento Local , dessa edição traz um ponta pé em questões que considero super importantes para atualizarmos nossos debates sobre as REDES e como os diversos atores sociais estão vivendo – atuando-militando nelas.

Indico a leitura atenta para aqueles que seguem o desenvolvimento da metodologia de atuação em redes e o fervilhar das novas conformações nos ultimos anos, em especial na America Latina ……

Acesse o boletim no. 31 em http://www.fbes.org.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=332

Para aqueles preocupados em como poderiamos assegurar nossa fortaleça que é vista sempre pela diversidade (seja de atores, de bandeiras, causas ,movimentos sociais…) e ao mesmo tempo evitarmos a fragmentação, superposição de articulações, duplicidade de investimentos de recursos humanos e financeiros.

Acreditamos que realmente possamos atuar em colaboração, então a questão da complementariedade e integração (seja ela inter, intra, supra ) deveria avançar muito, não porque é legal ser solidário mas porque somente somando esforços conseguiremos causar alguma mudança na realidade.

Como trabalhar a nossa humanidade, relativizar egos, personalidades, e trazer a politica para o centro do debate? Lidar com culturas distintas, dialogar com o diferentes, como sempre diz Carola se aprende no caminhar juntos, mas politizar os processos é necessário, essa politização nos distancia da assistencia, das praticas compensatórias. O eco so sul fala em radicalizar….o do norte fala em incidir sobre as estruturas internacionais, mas no sul também existem atores que anseiam pela promoção (ou seja fomentar). Então estamos com dinamicas muitos distintas que se enlaçam na necessidade de apontar alternativas reais a oiutra forma de globalizar.

Para um desafio tão mega como o de globalizar a solidariedade acredito que teriamos que avançar para que tb os setores produtivos cooperativados fossem contagiados por essa vontadade de cuidar de relações de cooperação internacional , de novo tipo, entre produtores que se vejam como atores de desenvolvimento, não apenas produtores ou e consumidores, mas seres portadores de direitos, deveres e força para construir novos territórios, novos mercados. Retirar o mito de Mercados existe e so restaria acessa-los, apresentar experiências onde eles nasceram da vontadade de relações econômicas com ética e solidariedade. E isso não se dá de forma espontanea, e dai o papel das ONGs nesse processos das REDES e FORUNS nacionais e internacionais.

O tema da comunicação contante, fluente (em nossos varios idiomas e dialetos), transparente, frequente poderia dar pouco a pouco maior perenidade a processos e não a EVENTOS, mas quem financia dialogos que não sejam bilaterais? Em especial do sul com o próprio sul?

Apenas ressaltaria que comunicação não é necessariamente informação, conexão…

E informação pode repassada na forma bruta, usada ou descartada , vai depender do interesse e uso que se faça dela. Dai a retomada nas redes da necessidade de uma formação, o uso das novas TICs (tecnologias de informação e comunicação) não está sendo apropriada por aqueles que poderiam fazer um excelente uso dela, se necessita tempo e dedicação além do obvio financiamento para essa capacitação no uso de ferramentas.

Esse ano com uso do GNU (software livre) se fez coisas fantásticas voltadas para economia solidária, mas como elas ainda foram pouco apropriadas pelos seus possiveis beneficiários (sejam eles as cooperativas sejam os jovens que desenvolvem….)

Seria necessário uma resignificação desse conceito de informação na era digital e telemática?

As REDES necessitam tanto de encontros presenciais como mecanismos de comunicação de criar laços de confiança, de ter face a face, olho no olho, ver os produtos, aprender uma técnica, conhecer a posição de cada um ….dai depois para usar o skipe e as teleconferências ficou fácil e agilizou/economizou enormemente processos.

Mas ainda são poucos a dominar as ferramentas seja por capacidade técnica seja por afinidade, e ainda existem limites humanos a serem superados.

Mas é pra já descentralização das informações e impedir que estejamos criando castas de “expertos” bem informados.

O que será que nossa base de lideranças da produção pensa do tal Altermundialismo? O que nós faltaria para lançar uma campanha, uma bandeira , uma causa (eu sei são muitas, mas teremos que priorizar e praticar esse internacionalismo ) tenho certeza que não faltariam pernas, braços e vozes nos 5 continentes , está faltando direção política ao processo . Tirar a plataforma internacional do papel (pois ela já é nosso acordo mínimo e começar a unificar em ações concretos).

Parte da politização será enfrentar internamente nossas proprias ambivalências, temas como do padrão de consumo, seja no norte ou no sul por vezes são contornados porque criam impasses.. Deveria a Economia Solidária apontar mais radicalmente um modelo de produção determinado ou continuar mitigando as sequelas de um modelo insustentável? E a questão da precarização dos direitos sociais nos empreedimentos solidários? Falamos nos documentos sempre defesa dos DESC (ou DESCA), e o que significa isso para o campo da economia solidária? E o tema do financiamento ao desenvolvimento?

Qual é nossa agenda do desenvolvimento, ela tem um norte e um sul?

Não teria chegado o momento de começarmos a trabalhar INTER-REDES?

São apenas questões e duvidas que se reforçaram após a leitura desse Boletim.