Com o legado deixado por Singer, continuaremos na luta por outra economia!

A notícia chegou no meio da noite. A reação foi de incredulidade. O querido amigo e mestre Paul Singer, fez a sua passagem. Encantou-se, virou estrela.

As mulheres e homens que compõem o Fórum Brasileiro de Economia Solidária, despedem–se de um amigo, companheiro, um parceiro, um mestre. Fica ardendo no peito a saudade e ao mesmo tempo, um sentimento pleno de gratidão, pela vida dedicada à promoção de uma sociedade justa, solidária, amiga, inclusiva. O incansável professor Singer, que varava a noite em intermináveis reuniões na gestão e construção de um mundo mais justo e igualitário.

Era o início de 2003, após a eleição do Presidente Lula e uma frente ampla de organizações, por dentro das inúmeras articulações do nascente Fórum Social Mundial, apresentam a proposta de um espaço para que a Economia Solidária entrasse na estrutura do governo que se iniciava. Os militantes queriam um ministério da Economia Solidária, depois de intermináveis debates e incidência política veio a conquista de uma Secretaria Nacional de Economia Solidária, tendo à frente Paul Singer.

A SENAES (Secretaria Nacional de Economia Solidária) , filha e irmã do FBES teve enquanto conduzida pelo Professor Singer, o grande desafio de implantar algo que era utópico, saído de um filme futurista: Uma Economia que estivesse a serviço da vida e com identidade nacional. Esta nasceu pequena e tímida, e nos anos que se seguiram com todos os desafios que se fizeram no enfrentamento antagônico ao Capitalismo enraizado na sociedade brasileira, se construiu proposições, programas e políticas para o fortalecimento da Economia Solidária.

À sociedade brasileira, fica uma dívida eterna, por alguém que teve a coragem de enfrentar as ditaduras, as opressões e sempre cultivar o bom humor e a esperança militante. Um professor que nunca se cansava de aprender e de perguntar as diferentes opiniões e de conhecer os divergentes pontos de vista.

Hoje são milhares de iniciativas, de bonitezas que acontecem de norte a sul do Brasil que se auto denominam Economia Solidária, uma Economia que Já acontece! São centenas de Empreendimentos Econômicos Solidários, milhares de mulheres e homens, de todas as etnias, jovens, idosos e até mesmo crianças que aprendem e ensinam que é possível uma economia que esteja a serviço da vida e não do lucro, que acordam o melhor de cada uma das pessoas que se deixam ser tocadas pela beleza do cuidado.

Infelizmente o Brasil, sofreu um golpe de Estado que tem fragmentado e interrompido uma trajetória que vinha sendo ascendente na implantação da Economia Solidária no País.

Mas, somos filhas e filhos da esperança militante e afirmamos: Singer continua vivo no coração da militância da Economia Solidária e cabe a cada uma e cada um continuar a Luta por uma Economia a Serviço da Vida!

Singer Vive!

Economia Solidária Presente!

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