Em 2003, o Fórum Social Mundial aconteceu em janeiro, em Porto Alegre/RS, e foi o ponto de referência para mobilizações, encontros e construção de estratégias do campo da Economia Solidária. A II Plenária Nacional aconteceu nesta ocasião e foi coordenada pelo GT Brasileiro de Economia Solidária. Estiveram reunidas cerca de 800 pessoas, entre elas representantes internacionais da área. O intuito de criar uma instância nacional se fortaleceu e, pela primeira vez, foi construída uma agenda de mobilização nacional, envolvendo estratégias de discussão pelos estados a fim de debater a composição permanente de um espaço nacional.
Em junho/2003 foi realizada a III Plenária Brasileira de Economia Solidária. Contou com processo preparatório de mobilização em 17 estados e teve a participação de 900 pessoas de diversas partes do país. Foi neste evento que foi criada, de forma definitiva, a denominação Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES). A Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES) foi constituída pouco antes da ocasião. O FBES saiu da III Plenária com a incumbência de articular e mobilizar as bases da Economia Solidária pelo país, em torno da Carta de Princípios e da Plataforma de Lutas, aprovadas na oportunidade. Além de se definir a composição e funcionamento do FBES, foi iniciado o processo de interlocução do FBES com a SENAES com o compromisso de promover um intercâmbio qualificado de interesses econômicos, sociais e políticos, em uma perspectiva de superar práticas tradicionais de dependência, que tanto têm comprometido a autonomia necessária ao desenvolvimento das organizações sociais. O evento também desencadeou a criação dos fóruns estaduais e regionais que puderam garantir, por sua vez, a realização do I Encontro Nacional de Empreendimentos de Economia Solidária no ano seguinte.
Neste processo, a Economia Solidária foi desafiada a gerir abastecimento, comercialização, trabalhar com moeda social, promover rodadas de negócio, realizar feiras em todos os estados, fazer campanha de consumo consciente, comércio justo e solidário, constituir redes, cadeias produtivas, finanças solidárias, trabalhar no campo do marco legal (em especial, com a lei geral do cooperativismo e cooperativa de trabalho).