Por Cecilia Coelho (Assessoria de Comunicação – Ministério da Cultura)

Isabel Cristina Alves, carinhosamente apelidada de Mãe Isabel, revela como o Ponto de Cultura Caminhos, localizado em Hortolândia, interior de São Paulo, sobrevive ao longo dos anos e a sucessivas crises econômicas: a sustentabilidade. A autogestão, no caso do Caminhos, foi possível graças à adoção da economia solidária. O Ponto de Cultura, coordenado por Mãe Isabel, procura aumentar a autoestima do negro, combater a intolerância religiosa, além de trabalhar com setores de confecção e alimentação.

“A economia solidária por si só é um novo modelo de desenvolvimento econômico, que se ajusta muito ao Brasil em crise”, avalia Isabel. “Nossos empreendimentos já alcançaram o estágio de amadurecimento e conseguimos agora uma renda mensal e não mais sazonal. A grande contribuição desse tipo de economia é permitir a auto sustentabilidade”, completa.

No Ponto de Cultura Caminhos, não há hierarquia rígida entre os produtores e o trabalho é baseado na democracia e no ensino mútuo. “É um trabalho coletivo, tem um pessoal que fica na produção do acarajé, outro na confecção e artesanato e a gente se reúne para a produção e comercialização”, explica.

Mãe Isabel lamenta não haver um banco comunitário por perto. “Nós gostaríamos de ter um ou até de ser um banco comunitário. Os bancos têm ação restrita à comunidade em que se localizam, são um fomentador local”, afirma.

Uma das ferramentas que fazem parte desse setor são os bancos comunitários. Tais instituições prestam serviços financeiros solidários, de natureza associativa e comunitária, para geração de trabalho e renda. Entre os objetivos estão os de reorganizar economias locais e promover o desenvolvimento de territórios de baixa renda, por meio do fomento a redes locais de produção e consumo.

MinC e Bancos Comunitários

Um dos maiores especialistas em economia solidária, o secretário Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS), Paul Singer, explica que há no Brasil 107 bancos comunitários que formam uma rede nacional. “Acho que o mais significativo é que se reúnem regularmente, comparam o que ocorre em cada um e se ajudam mutuamente”, comenta Singer.

“O banco comunitário é completamente oposto ao capitalismo. O banco privado tem dono e são os interesses do dono que vêm primeiro. No comunitário, os usuários do banco são os donos, são comunidades pobres na periferia das cidades”, compara Singer. “Tenho tido a oportunidade de participar da fundação de bancos comunitários e a alegria das pessoas é comoventes porque, para elas, é uma mudança para melhor, significa ter um lugar para colocar o dinheiro e de forma que seja o desejo de todos”, pontua.

O Ministério da Cultura (MinC) tem trabalhado em conjunto com o MTPS para estimular a economia solidária na Cultura. “Entramos em contato com o banco Palmas, que é uma rede que estimula a criação de bancos comunitários e moedas sociais”, conta Ivana Bentes, secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC (SCDC/MinC).

“Esse campo não tinha se voltado ainda para a Cultura e é muito importante entrar nessa rede. Queremos fazer um encontro com a economia solidária pensada para a economia da cultura e nos dedicar a esse eixo”, afirma Ivana Bentes.

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